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Bolsonaro declara prioridades à Câmara de Deputados

Publicado em: 07-02-2020 | Por: bidueira | Em: Costumes, Desarmamento, Legítima Defesa, PLD em Foco, Segurança Pública, SITUAÇÃO NACIONAL

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PLD em Foco

Cel. Paes de Lira comenta

Bolsonaro declara prioridades a uma Câmara de Deputados que inaugura muito mal  o ano legislativo

Dom Bosco, um dos maiores santos do século XIX

Publicado em: 01-02-2020 | Por: bidueira | Em: Festas religiosas, Tradições

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No dia 31 de janeiro de 1888 encerrou-se a carreira terrena daquele que assim foi elogiado pelo grande Papa Pio IX: “Em Dom Bosco o sobrenatural havia chegado a ser natural, e o extraordinário, ordinário, e a legenda áurea dos séculos passados, realidade presente”.

  • Plinio Maria Solimeo

Neste artigo nos deteremos apenas em alguns aspectos da vida de São João Bosco, pois em artigos anteriores já apresentamos a magnífica biografia desse ilustre santo e grande taumaturgo.

Dom Bosco já em vida gozava de fama de santidade. Sua rica personalidade encheu praticamente todo o século XIX. Como comenta o Cardeal Pedro Maffi, Arcebispo de Pisa, “a vida de Dom Bosco é tão densa, tão variada e tem tão múltiplas facetas que, a quem se acerca para contemplá-la ou estudá-la, sempre lhe ficará na sombra alguma face importante do poliedro”.(1)

Mesmo antes de sua canonização, a revista “Civiltà Cattolica”, dos Padres Jesuítas, dele dizia em 1930: “Ao estudar a vida e a obra de Dom Bosco, ficamos tão admirados da grandeza deste gênio, que sua figura se agiganta à medida que nos acercamos de sua pessoa, ouvimos suas palavras e contemplamos de perto e com nossos próprios olhos suas obras de apostolado em suas características mais vivas e pessoais.”(2)

Visão dos grandes empreendimentos


Paramentos usados por Dom Bosco

João Bosco “vem ao mundo no preciso momento em que se desagrega a construção político-social da Revolução Francesa, que transcendeu todo o orbe, e quando, pelas reações naturais a tão enorme cataclismo, flutuam em todos os ambientes, e fluem em todos os leitos, as correntes muito diversas de doutrinas, opiniões e sistemas que dão origem a movimentos científicos, religiosos e sociais de todo gênero e com características inconfundíveis”.(3)

Um médico amigo assim descreveu Dom Bosco no seu apogeu: Não é um cerebral; é um homem de coração; mas tem a visão dos grandes empreendimentos, e o empreendimento das grandes visões. Sua única arma é a caridade. Abraça muitas coisas, e todas convergem na unidade superior de uma ideia, e vive para sua ideia (ou, melhor dizendo, ideal). Aqui está seu foco, sua síntese, que recolhe os raios de sua atividade prodigiosa. Temperamento enérgico e fogoso, possui uma excepcional sensibilidade para a percepção de coisas e fatos que nos demais produziriam menor comoção; sensibilidade extrema própria dos gênios mais sublimes.”(4)

Por isso, todo o apostolado de Dom Bosco voltou-se ao combate dos inúmeros e graves problemas de sua época, dando uma orientação profundamente religiosa aos jovens que seriam o futuro da sociedade. Para ele, como o afirmou em sua História Eclesiástica e na História da Itália, a Igreja é o centro da História, e o Papa, o centro da Igreja.

“Parece-se com Nosso Senhor!”


Num sonho, São João Bosco teve a revelação de que sua imagem estaria acima da estátua de bronze de São Pedro e do medalhão/mosaico do Papa Pio IX. Constrangido com tal glória, ele acordou e o sonho se desfez. Mas hoje, na nave central da Basílica de São Pedro em Roma, essa revelação encontra-se imortalizada em mármore, como se vê nesta foto. A estátua mede 4,80 m e foi realizada pelo famoso escultor Pietro Canonica (1869-1959). [Foto PRC]

Para isso ele contou desde o nascimento com graças e carismas especiais. A Providência “o havia dotado prodigiosamente: pobreza e humildade de berço, mas lar cristianíssimo e amante do trabalho; uma mãe santa; de engenho pronto e vivo, presença agraciada e simpática; memória felicíssima; vontade a toda prova; robustez física invejável, força hercúlea, agilidade pasmosa, sensibilidade delicadíssima, acessível a todo o belo e bom; coração ‘segundo o coração de Deus’ e, posto que haveria de ser ‘pai dos órfãos’, sente o peso da orfandade paterna quando tem dois anos”.(5)

Ao que acrescenta outro autor: “Largamente pagou-lhe o Senhor! Deu-lhe a irradiação da santidade, e com a irradiação, a influência, mediante uma simpatia mais única que rara. Em seus últimos anos, sobretudo, as pessoas, ao vê-lo, sentiam-se atraídas; e os simples exclamavam: ‘Parece-se com Nosso Senhor!’; e os mais teólogos: ‘Quão bom deve ser Nosso Senhor se Dom Bosco é tão bom!’ As crianças corriam para ele, atraídas como por um imã. E as multidões se aglomeravam para olhá-lo e pedir-lhe uma palavra, um sorriso ou […] um milagre. Porque Nosso Senhor o fez um taumaturgo: o taumaturgo do século XIX. […] Deus Nosso Senhor comprouve-se em fazer dele como um resumo dos carismas que adornaram a vida dos santos nos séculos passados. Porque Dom Bosco curava os enfermos com sua bênção, lia nas consciências e no futuro, multiplicava os pães, as castanhas para seus filhos, as medalhas e estampas para os devotos […] Teve várias vezes o dom da bilocação, ressuscitou três mortos, e os animais obedeciam, submissos a seus mandatos”.(6)

Escreve seu discípulo e biógrafo Pe. João Lemoyne: “A vida de Dom Bosco é uma trama de sonhos tão maravilhosos, que não se compreende sem a assistência divina direta, sob pena, naturalmente, de que houvesse sido um estulto, um ilusionista, um enganador ou um vaidoso. Os que viveram ao seu lado durante trinta e quarenta anos não viram nunca nele o menor sinal de querer ganhar o apreço dos seus fazendo-se passar por um privilegiado com dons sobrenaturais. Dom Bosco era humilde, e a humildade aborrece a mentira.”(7)

Pio XI afirmou: “Em Dom Bosco o sobrenatural havia chegado a ser natural, e o extraordinário, ordinário, e a legenda áurea dos séculos passados, realidade presente”.(8)

Entretanto, esses dons sobrenaturais não vinham sem um pesado ônus. Um dos seus —o Pe. Estevão Trione — manifestou-lhe certa vez o desejo de poder operar milagres para converter as almas. Dom Bosco lhe respondeu: “Tu não sabes o terrível que isso é, e as tremendas responsabilidades que acarreta.”(9)

Mas é preciso apresentar o outro lado da medalha: como todos os santos, Dom Bosco teve muito que sofrer, quer dos homens, quer dos elementos. Sofria com a pobreza de meios para suas obras; sofria com enfermidades que Deus lhe mandava para purificá-lo, apesar de sua saúde robusta; sofria sobretudo pelos ataques do demônio, que o atormentava de mil maneiras, até golpeá-lo fisicamente e rasgar manuscritos que lhe haviam custado anos de meditação e fadiga.

Outra característica de Dom Bosco era seu ódio ao pecado: “Poucos homens haveria que tenham odiado e combatido tanto o pecado. Tinha até vertigens só em pensar neles; e muitas vezes ouviram-no exclamar que preferia que se queimasse mil vezes o Oratório — que tantos desvelos lhe tinha custado — antes que se cometesse nele um pecado.”(10)

Propósitos na ordenação sacerdotal


Sonho de Dom Bosco no qual Nossa Senhora lhe explica sua vocação: transformar lobos em cordeiros

Dom Bosco tinha uma visão inteiramente sobrenatural do sacerdócio, como o demonstram os propósitos que ele fez na conclusão do retiro espiritual, por ocasião de sua ordenação sacerdotal:

“O sacerdote não vai só ao céu, nem só ao inferno. Se agir bem, irá ao céu com as almas que salvar com seu bom exemplo; se agir mal, se der escândalo, irá à perdição com as almas condenadas por seu escândalo.

Portanto, empenhar-me-ei em guardar os seguintes propósitos:

1º. Não passear nunca, senão por grave necessidade, [tais como] visitas a enfermos etc.

2º. Ocupar rigorosamente bem o tempo.

3º. Padecer, humilhar-me muito, e sempre quando se tratar de salvar almas.

4º. A caridade e a doçura de São Francisco de Sales me guiem em tudo.

5º. Sempre estarei contente com a comida que me apresentarem, contanto que não seja nociva à saúde.

6º. Beberei vinho aguado e só como remédio, quer dizer, só quanto e quando o reclame a saúde.

7º. O trabalho é uma arma poderosa contra os inimigos da alma; por isso não darei ao corpo mais do que cinco horas de sono cada noite. Durante o dia, especialmente depois da comida, não tomarei nenhum descanso. Farei exceção em caso de enfermidade.

8º. Destinarei cada dia algum tempo à meditação e à leitura espiritual. Durante o dia farei uma breve visita ou ao menos uma oração ao Santíssimo Sacramento. Terei ao menos um quarto de hora de preparação e outro quarto de hora de ação de graças pela Santa Missa.

9º. Não conversarei com mulheres, exceto no caso de ouvi-las em confissão ou em alguma outra necessidade espiritual.”(11)

A pobreza de Dom Bosco


Mamãe Margarida, mãe de São João Bosco

É difícil ter uma ideia da pobreza em que Dom Bosco viveu, principalmente nos seus primeiros anos. Uma carestia sem precedentes abatera-se sobre a Itália no ano de 1817, levando a miséria por toda parte. Milhares de famílias abandonaram os campos, indo procurar alimento nas cidades. Dom Bosco diz em suas memórias “Encontravam-se pessoas mortas nos campos, com a boca cheia de erva, com a qual tinham tentado aquietar sua fome raivosa.”(12)

Em artigo anterior já tratamos do papel de Mamãe Margarida, não só na formação de São João Bosco, mas também na sua doce influência sobre os rapazes do Oratório.

Entretanto, cabe aqui pelo menos uma referência a essa mulher excepcional, que durante a carestia tinha que fazer das tripas coração para prover a família com alimentos. Agradecido, narra o filho: “Pode-se imaginar o quanto minha mãe sofreria e se cansaria durante ano tão calamitoso. Mas uma grande economia e o cuidado nas coisas mais miúdas, unidos a um trabalho esgotante, junto com a ajuda verdadeiramente providencial, contribuíram para solucionar aquela crise de alimentos.”(13) Que belo exemplo para tantas famílias que se lastimam da pobreza, que não a sabem suportar com espírito sobrenatural!

Procurado até mesmo pelos grandes da Terra


O santo anunciou grandes desgraças ao rei da Itália, Vitor Manuel II, por causa das perseguições que ele promoveu contra a Igreja

A santidade e a ação de Dom Bosco se irradiaram por todo o mundo. Assim como o demônio é obrigado por vezes a dizer verdades pela boca dos possessos, assim o líder revolucionário comunista Mao Tsé-Tung colocou este singularíssimo dito entre seus “mandamentos”: “Honrarás a João Bosco, que cuidou dos humildes e educou os operários…”(14)

O humilde sacerdote é procurado pelos depostos reis de Nápoles e da Sicília. Visitam-no também os pretendentes aos tronos francês e espanhol, respectivamente o conde de Chambord e Carlos VII. “Aos primeiros lhes diz que toda resistência será inútil, pois Deus os afastava do trono por sua tibieza em defender os direitos divinos e a causa das almas. Aos segundos aconselha a não aventurar-se de ligeiro em reivindicações pelas armas, para não se exporem a um derramamento inútil de sangue. E como alegam seus direitos […] ele responde que tudo está muito bem, mas que poderia não ser essa a vontade de Deus. […] A uns e a outros recomenda a santificação por sua submissão à vontade divina e o exercício das boas obras”.(15)

No ano de 1867, estando em Roma a rainha Maria Teresa, esposa do deposto rei de Nápoles Ferdinando II, ela aspirava ouvir de Dom Bosco que a esperava um futuro glorioso e a volta ao trono. Mas ele respondeu-lhe: “Majestade, doe-me dizer-vos, mas não vereis mais Nápoles”. E a Francisco II, filho de Ferdinando, disse a mesma coisa. E como o rei insistisse em que desse as razões para isso, o santo mostrou-lhe como a Igreja havia sido muito perseguida em Nápoles. O rei procurou justificar-se dando as “razões de Estado” que o haviam obrigado a agir assim. Dom Bosco respondeu-lhe: “Sim, é verdade, mas as causas de tantos males religiosos não podem ser agora removidas.”(16)

O santo anunciou grandes desgraças ao soberano da Itália, Vitor Manuel II, extensivas à sua família e aos seus sucessores, caso ele persistisse em sua oposição à Igreja. O que se realizou ao pé da letra.

Dom Bosco usava a mesma política da verdade com o ministro piemontês, Urbano Rattazzi. Certo dia, aproveitando-se da confiança que tinha com o santo, ele lhe perguntou se incorrera na censura eclesiástica pelo que havia feito contra a Igreja como ministro. Dom Bosco pediu-lhe três dias para pensar. Depois lhe disse: “Excelência, estudei a questão, e a estudei para poder-lhe dizer que não havíeis incorrido na censura; mas não consegui”. Sua honestidade e liberdade agradaram ao ministro, que lhe respondeu: “Estava certo de que Dom Bosco não me teria enganado, por isso quis saber dele. Estou contente pela sua franqueza: recorra sempre a mim, em qualquer necessidade de ajuda para seus meninos.”(17)

“Parecia deificado”


Dom Bosco recebeu do Bem-aventurado Papa Pio IX a ordem de escrever seus sonhos e revelações

Em seus últimos anos, no dizer de seus contemporâneos, Dom Bosco “parecia deificado”. Seu secretário, João Lemoyne, declara que o viu várias vezes resplandecente e levantado do solo.

Celebrando a Santa Missa, era comum ele levantar-se do solo com a hóstia nas mãos na hora da elevação, envolto em inefável luz. Isso explica por que ele era já objeto de veneração, visto em vida como um verdadeiro santo e procurado por todo mundo.

Um exemplo disso ocorreu na sua segunda viagem a Paris, em 1883, que foi uma apoteose contínua, como também o fora por todos os lugares por onde passou.

Léon Aubineau escreveu no “Univers” de 4 e 5 de maio desse ano: “Paris está atônita por causa da comoção manifestada em seu seio em torno do humilde padre turinense, que não tem nada de atraente aos olhos do mundo. […] O aplauso dos parisienses é quase unânime, e a atração irresistível que agita a multidão tem algo de maravilhoso. Nisto há uma resposta inconsciente, se se quiser, mas direta e enérgica, contra a proclamação de ateísmo que de todas as partes se pretende fazer em nome do povo. É ao homem de Deus que são endereçadas todas essas homenagens; é ao homem de fé e de oração que a multidão quer contemplar. As maiores igrejas — a Madalena, São Sulpício, Santa Clotilde — são pequenas demais para conter os fiéis que querem assistir à Missa de Dom Bosco. Não pedem outra coisa dele. […] Todos desejam que essa bênção desça sobre sua miséria pessoal, ou sobre sua dor particular. O bom padre ouve a todos, interessa-se por todos, invoca sobre todos a proteção de Maria Auxiliadora. Ele não se pertence mais, mas abandona-se a todos que lhe suplicam”.(18)

Os “sonhos” de Dom Bosco

         Sobre os “sonhos” de Dom Bosco, que alcançaram profunda repercussão em todas as suas realizações e apostolado, e que ainda impressionam os fiéis em nossos dias, escreve o Pe. Rodolfo Fierro, salesiano:

“Como ao antigo patriarca José, a vários profetas, a São José, o bendito esposo de Maria e a São Pedro, Deus o ilustrava frequentemente por meio de sonhos. Pode-se dizer que todas suas grandes obras e devoções têm origem em um sonho ou em vários. Que alguns são verdadeiramente sobrenaturais, não cabe dúvida, por seu caráter, por seus resultados, e pelas próprias expressões do Santo. […] O que pensava ele de seus sonhos? No princípio não lhes deu importância, tomando-os por jogos da fantasia, e até chegou a temer que fossem alucinações diabólicas. Mas, vendo que sempre se realizava o sonhado, que [neles] se lhe mandava coisas importantes, que lhe eram dadas missões concretas, consultou seu diretor espiritual, São José Cafasso, e este, examinando tudo, ordenou-lhe que se tranquilizasse e obedecesse. Mas a suprema decisão deu-a Pio IX, mandando-lhe que os escrevesse. […] Mas é um fato inegável e característico dele que muitos de seus sonhos não são sonhos como tais, mas verdadeiras visões de caráter sobrenatural, e sua variedade recorre às três espécies de visões que descrevem Santo Isidoro de Sevilha, São João da Cruz, e Santa Teresa.”(19)

O Bem-aventurado Pio IX ordena-lhe que escreva os sonhos


Túmulo de São João Bosco no Santuário de Maria Auxiliadora, em Turim [Foto FV]

As relações de São João Bosco com o imortal Bem-aventurado Papa Pio IX foram as mais amistosas e mais íntimas que se possa imaginar. O santo Pontífice interessava-se pelos seus “birichinni” (meninos), pelas suas publicações, e inclusive pelos seus sonhos.

Com efeito, já na segunda audiência que Dom Bosco teve com Pio IX, este intuiu que, para fazer tantas e tão santas obras, ele deveria ser movido por um impulso divino. Pediu-lhe então que lhe contasse detalhadamente tudo o que em sua vida tivesse qualquer aparência de sobrenatural. “Narrei-lhe quanto se havia apresentado à minha fantasia em sonhos extraordinários, que em parte já se haviam verificado, começando pelo primeiro, quando tinha nove anos”, diz Dom Bosco.

O Papa, que o ouvia atentamente, disse-lhe: “Ouvi, Dom Bosco, desejo que escrevais tudo o que me dissestes, e com detalhes. Conservai-o como patrimônio para vossa Congregação, como herança para sua edificação e alento, e como norma para vossos filhos.”(20)

O Pontífice revelou então sua intenção de nomeá-lo seu camareiro secreto com o título de monsenhor. Dom Bosco respondeu-lhe: “Santidade, que bela figura faria eu, sendo monsenhor, diante de meus rapazes! Os pobrezinhos não saberiam reconhecer-me. Nem se atreveriam a acercar-se de mim, e levar-me daqui para lá, como o fazem agora. E logo… com este título, o mundo me creria rico, e eu mesmo não teria valor para apresentar-me pedindo esmola para nossas obras. Ó Padre Santo! O melhor é que eu seja sempre o pobre Dom Bosco.” Pio IX não insistiu.(21)

Catecismo para a Igreja universal

Quando foi recebido em audiência por Pio IX, Dom Bosco falou-lhe da necessidade de introduzir na Igreja universal “um catecismo breve que eliminasse a multidão dos que corriam em cada diocese, e que contivesse, de modo simples e claro, os elementos da doutrina cristã que professam todos os católicos. […] A ideia agradou ao Papa, como também a insinuação de que este catecismo universal, único e obrigatório, deveria ser promulgado pela Santa Sé, tanto mais que [Dom Bosco] assegurou que a maior parte dos Padres do concílio [Vaticano I] dariam seu voto favorável”.(22)

Infelizmente, apesar de aprovada por esmagadora maioria dos Bispos na votação preliminar, a ideia não pôde concretizar-se devido à brusca interrupção do Concílio pela ímpia invasão de Roma pelas tropas de Vitor Emanuel II, do Piemonte.

Visão das catástrofes que cairiam sobre a Europa


Altar-mor do Santuário de Maria Auxiliadora, construído por São João Bosco em Turim [foto FV]

No dia 5 de janeiro de 1870, vigília da Epifania, estando em Roma para acompanhar o Concílio, Dom Bosco teve um sonho ou visão sobre as grandes catástrofes que ameaçavam a Europa.

Por isso, na conversa que se seguiu com o Sumo Pontífice, ele se sentiu no dever de consciência de colocá-lo a par da situação catastrófica que se delineava no horizonte. “Falou-lhe sobre a guerra entre a França e a Prússia, que já todos criam inevitável, do abandono em que Napoleão III deixaria Roma, da queda do império napoleônico, e dos terríveis açoites que cairiam sobre a França e, em especial sobre Paris.”(23) Tudo isso vira nesse sonho.

Aproveitando então da grande bondade com que Pio IX o ouvia, o santo narrou-lhe o sonho que tivera, mas só a parte que se referia ao Pontífice:

Agora, a voz do céu se dirige ao Pastor dos pastores. Tu estás na grande conferência com teus assessores; mas o inimigo do bem não se dá um momento de repouso; estuda e põe em prática contra ti todas suas artes. Semeará discórdias entre teus assessores; suscitará inimigos entre meus filhos. As potências do século vomitarão fogo e quereriam que as palavras fossem sufocadas na garganta dos defensores de minha lei. Isto não será. Farão o mal, mas a si mesmos. Tu, apressa-te; se as dificuldades não se resolvem, trunca-as. Se te achas em apuros, não te detenhas; continua até que se tenha cortado a cabeça da hidra do erro. Este golpe fará tremer a terra e o inferno, mas o mundo estará a salvo, e todos os bons se alegrarão. […] Os dias correm velozes; teus anos se acercam do número determinado, mas a grande Rainha será sempre tua ajuda, e nos tempos passados como no porvir, será magnum et singulare in Ecclesia praesidium”.(24)

Ante tão trágico panorama, Pio IX cortou-lhe comovido a palavra, dizendo: “Basta, basta; se não esta noite não poderei dormir”. Mas no dia seguinte mandou chamar Dom Bosco para ouvir o resto do sonho. Entretanto, o santo já havia tomado o trem para Florença. Mais tarde ele fará chegar às mãos do Pontífice o relato completo do sonho.

O desenrolar dos acontecimentos confirma o sonho

O desenrolar dos acontecimentos confirmou o sonho de Dom Bosco. No dia 18 de julho desse ano de 1870, fora finalmente proclamado com grande solenidade o dogma da infalibilidade pontifícia, contra o desejo dos Bispos liberais. Mas eis o resultado imediato: “A Áustria aboliu a concordata e rompeu as relações com a Santa Sé. A Baviera sustentava Dollinger na proclamação do cisma dos ‘velhos católicos’. O novo reino da Itália ordenava aos magistrados a vigilância sobre os bispos e párocos, e o encarceramento dos que publicaram a constituição dogmática sobre a infalibilidade pontifícia. A França retirou sua guarnição de Civitavecchia; a Prússia autorizava Vitor Emanuel a entrar em Roma”.(25)

À vista de todos esses acontecimentos, vários membros da Corte Pontifícia aconselharam o Papa a abandonar Roma e buscar refúgio em outra parte. Pio IX vacilava. Eles pressionavam. Então o Pontífice lhes disse que havia mandado consultar Dom Bosco, e esperava a resposta. Esta veio nestas palavras: “O sentinela, o anjo de Israel, permaneça em seu posto, guardando a rocha de Deus e a arca santa”. Pio IX permaneceu em Roma.(26)

Acrescentamos que Pio IX entregou sua alma a Deus no dia 8 de fevereiro de 1878, dia e hora previstos por Dom Bosco. Até seus últimos momentos, o Papa lembrava-se do santo. Os que o assistiam no último transe ouviram-no balbuciar: “Dom Bosco! Dom Bosco! É um homem prodigioso. Eu o estimo e quero muito”.(27)

Morte e glorificação

         Dez anos depois, no dia 31 de janeiro de 1888, era a vez de Dom Bosco encerrar sua carreira terrena. Chamado misteriosamente, seu discípulo João Cagliero, então bispo missionário, veio da Argentina para assisti-lo. Pouco antes de expirar, Dom Bosco exclamou “Jesus! Maria!… Jesus e Maria, eu vos dou o meu coração e a minha alma… In manus tuas, Domine, commendo spiritum meum… Ó Mãe! Mãe!… abri-me a porta do paraíso”.(28)

O “Osservatore Romano” desse dia afirma: “A morte de Dom Bosco é um luto para a Igreja e para a Humanidade. No ocaso do século XIX, em meio às convulsões dos povos e transformações políticas, soube, com o ascendente da palavra e do exemplo, suscitar uma maravilhosa corrente de caridade e atrair a si os espíritos ainda mais rebeldes, à doçura serena da fé.”(29)

Multidões participaram do cortejo, levando o corpo do santo à última morada. Descreve o jornal vaticano: “Naquela multidão silenciosa e pia, via-se gente do povo e senhores, peregrinos franceses, suíços, alemães, camponeses, sacerdotes, nobres — toda a escala social — e todos louvavam a obra e a virtude modesta e santa do defunto. Muitos, vindos por curiosidade, permaneciam tocados com aquele espetáculo novo e solene, e diziam também ‘que ele era um grande santo’. Muitos armazéns tinham fechado suas portas em sinal de luto, do mesmo modo que empresas tinham dado liberdade aos seus operários para que fossem acrescer o significado desta solene demonstração.”(30)

Em junho de 1907 São Pio X reconheceu a heroicidade das virtudes de Dom Bosco e o declarou Venerável. Em 2 de junho de 1929 Pio XI o beatificou. Finalmente, no Domingo de Páscoa, 1º de abril de 1934, no encerramento do Ano Santo extraordinário, o mesmo pontífice o canonizou solenemente.

______________

Notas:

  1. Cardeal Pedro Maffi, arcebispo de Pisa, in Rodolfo Fierro, S.D.B., Introduccion GeneralBiografia y Escritos de San Juan Bosco, Biblioteca de Autores Cristianos (BAC), Madri, 1967, p. 3.
  2. Apud Fierro, op.cit., p. 44.
  3. Fierro, op.cit., p. 3.
  4. Fierro, op.cit., p. 10.
  5. Fierro, op.cit., p. 5.
  6. Fierro, op.cit., p. 8.
  7. Memorias del Oratorio, in Biografia y Escritos de San Juan Bosco, BAC, p. 76, nota 16.
  8. Discurso de 3 de abril de 1932, in Biografia y Escritos de San Juan Bosco, p. 11.
  9. Fierro, op.cit., p. 45.
  10. Fierro, op.cit., p. 45.
  11. Memórias del Oratorio, p. 131, nota 65.
  12. Memórias del Oratorio, p. 74.
  13. Memórias del Oratorio, p. 75.
  14. Fierro, op.cit., p. 11.
  15. Fierro, op.cit., p. 9.
  16. Pe. G.B. Lemoyne, Vita di San Giovanni Bosco, Società Editrice Internazionale, Torino, 1975, p. 394.
  17. Lemoyne, op. cit., p. 391.
  18. Lemoyne, op. cit., pp. 512-513.
  19. Fierro, op.cit., pp. 54-55.
  20. Memorias del Oratorio, p. 293.
  21. Memorias del Oratorio, p. 293.
  22. Memorias del Oratorio, pp. 374-375.
  23. Memórias del Oratorio, p. 375.
  24. Memorias del Oratorio, pp. 366-367.
  25. Memorias del Oratorio, p. 376.
  26. Memorias del Oratorio, p.378.
  27. Memorias del Oratorio, p. 400, nota 20.
  28. Lemoyne, op.cit., p. 654.
  29. Lemoyne, op.cit., p. 660.
  30. Lemoyne, op.cit., p. 666.

TEM UMA PEDRA NO CAMINHO

Publicado em: 19-01-2020 | Por: bidueira | Em: CHINA, Costumes, Cuba, DIREITO DE PROPRIEDADE, Mourão, Política Internacional, PT, Segurança Pública, SITUAÇÃO NACIONAL, Tradições

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Tem uma pedra no caminho

“Ao longo de 2020, aposta minha, o leitor escutará até o fastio as seguintes expressões: empresários chineses, empresas chinesas, investimentos chineses, investidores chineses. Não acredite. É mentira deslavada. Melhor, fraude escandalosa para esconder a realidade (conhecida, aliás, do Brasil inteiro, mas misteriosamente silenciada). Vou explicar.”

Péricles Capanema

Tem uma pedra no meio do caminho. Drummond ▬ que aliás qualificou o verso famoso de “texto insignificante, um jogo monótono” ▬ na verdade escreveu “tinha uma pedra no meio do caminho”. Podia ser que já não mais lá estivesse. Eu, por meu lado, não estou tratando do passado, refiro-me a presente candente, agora tem uma pedra grande no meio do caminho. Trata-se de tirá-la da frente.

Vamos aos fatos. O dr. Salim Mattar, secretário-especial de Desestatização e Desinvestimento, em 14 de janeiro afirmou, ao longo de 2020 o governo pretende arrecadar com privatizações, vendendo uns 300 ativos, em torno de R$150 bilhões. Aplausos, o caminho para a prosperidade passa pela desestatização; de outro modo, pela privatização.I

informou a mais o dirigente, a Caixa, o Banco do Brasil e a Petrobrás não serão tocados. Os Correios ficaram para fins de 2021. Anunciou ainda, a maior parte do dinheiro arrecadado virá de desinvestimento (vendas) no sistema Eletrobrás. Em suma, enorme programa de privatização em curso; para torná-lo mais ágil serão encaminhados projetos de lei à Câmara dos Deputados, asseverou o dr. Salim.

Repito o que escrevi, para mim, em princípio, quanto mais ampla a privatização, melhor. O particular tem mais eficácia que o burocrata quando o assunto é contratar, comprar, vender e produzir. No fim, com a economia na mão de particulares e não do Estado, teremos produtividade maior; enfim, mais emprego e renda, o que favorece o bem comum. E que o Estado execute bem o que lhe é próprio, regulações, defesa, segurança, proteção da moeda, atenção especial aos mais carentes, alguma coisa mais, tem valioso e insubstituível papel. É a aplicação do princípio da subsidiariedade nas relações entre a sociedade e o Estado, entre o particular e o estatal. Paro, e até peço desculpas, estou me sentido um pouco o conselheiro Acácio.

Agora, com licença do Eça, dou as costas ao conselheiro, e trato de assuntos que não são (ou não parecem) óbvios, ênfase em matéria constitucional.

Ao longo de 2020, aposta minha, o leitor escutará até o fastio as seguintes expressões: empresários chineses, empresas chinesas, investimentos chineses, investidores chineses. Não acredite. É mentira deslavada. Melhor, fraude escandalosa para esconder a realidade (conhecida, aliás, do Brasil inteiro, mas misteriosamente silenciada). Vou explicar.

Dizia Talleyrand, “boutade” dele, uma a mais, a palavra nos foi dada para dissimular o pensamento (há variadas versões do que ele teria de fato afirmado, todas em torno da ideia de que a palavra mais serviu para disfarçar do que para exprimi-lo). É o nosso caso, a dissimulação. Mais no ponto, dissimular para ocultar a verdade inteira.

Volto ao que dizia e explico. À vera, as empresas chinesas que investem no Brasil são na maioria esmagadora dos casos, para ser prudente, estatais chinesas ▬ dirigidas dos pés à cabeça, por dentro e por fora ▬ pelo governo chinês, o qual, por sua vez, não nos esqueçamos temos lá governo de partido único, é dirigido pelo Partido Comunista Chinês (PCC). Os empresários chineses que transitam no Brasil (conto da carochinha) são na verdade burocratas, membros bem vistos e bem vestidos do PCC, com cargos de direção nas estatais. Os tais investidores chineses que aplicam no Brasil, outro recurso ardiloso, na verdade não existem; é dinheiro posto aqui pelo governo chinês, dono das estatais.

Então, a bem da transparência, fica aqui a errata. Quando você ler empresas chinesas, leia empresas estatais chinesas. Quando ler, empresários chineses, leia burocratas chineses. Quando ler investidores chineses, leia aplicações do governo comunista chinês via estatais. Quando ler investimentos chineses, leia aplicações do governo chinês, dirigido pelo PCC. Não vai errar em, por baixo, 99,9% dos casos.

O que que estou bradando em cima dos tetos ▬ proclamai-o do alto dos telhados, obrigação evangélica (Mt 10, 27) ▬ é proibido divulgar desse jeito (mas todo mundo sabe que é assim). Todo mundo vai continuar a falar de empresários chineses, de investidores chineses, de capitais chineses, de empresas chinesas. Você, minha dica, aplique a errata, pois na prática está proibido mudar tal linguagem. De onde vem a proibição, que apunhala a realidade? Não sei. Mais, pedaço grande do programa de privatização brasileiro corre o risco de cair nas mãos de estatais chinesas (parte já caiu). Um exemplo entre dezenas, a imprensa nos últimos dias noticiou que a SABESP, 28 milhões de clientes, onde o governo tem 50,3% do capital votante, poderá ser vendida. A quem? Repito o que li: a empresários chineses, a empresas chinesas, a grupos chineses. Dissimulação. Qual a empresa interessada num negócio que pode chegar a R$40 bilhões ou mais? Só um nome, China Railway Construction Corporation, estatal chinesa. Privatização à brasileira.

Não sou constitucionalista e, por isso, solicito auxílio deles. Mas me surpreenderia se não estivéssemos diante da maior agressão à Constituição da história brasileira ▬ monstruosa, aberrante, silenciada e silenciosa.

Adiante, escrevendo preto sobre o branco. Comanda o artigo 173 da Constituição: “Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta da atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei”.

A exploração direta da atividade econômica pelo Estado se dá por meio de empresas públicas e empresas de economia mista (estatais). O Estado brasileiro está proibido de agir diretamente na esfera econômica salvo nos dois casos acima. Logo, seria aberrantemente ilegal que o Banco do Brasil, a Caixa, a Petrobrás, entre outros agentes econômicos, via de regra (sempre se pode pensar em pequenas exceções), participassem do processo de privatização. Seriam atos inconstitucionais, nulos.

Se ao Estado brasileiro é vedado participar do processo de privatização no Brasil, “a fortiori” os Estados estrangeiros estão impedidos de fazê-lo por meio de suas estatais. É absurdo, de fato, entre nós, muitas vezes, para privatizar, a propriedade sai das mãos do Estado brasileiro e vai para as mãos de Estado estrangeiro. Na prática, contudo, estamos tendo a presença gigantesca de estatais de outros países no processo de privatização do Brasil. E não só de estatais chinesas. Tais atos não foram nulos por inconstitucionais?

Quando você ler fundo soberano de tal país, entenda estatal de tal país, outra expressão para a errata. Vários fundos soberanos (estatais) estão ativos no Brasil, tentando aproveitar as oportunidades do processo de privatização. Um exemplo, poucos dias arás, foi feita a concessão (uma forma de entrega à iniciativa privada) do trecho Piracicaba- Panorama. O consórcio vencedor, Consórcio Infraestrutura Brasil, é formado pelo fundo Pátria e pelo fundo soberano GIC (fundo soberano de Singapura). Foi a maior concessão até hoje feita. O GIC é uma estatal de Singapura. Vedado ao Estado brasileiro, mas permitido a Singapura, um Estado soberano? Pode?

Aqui está, tudo o indica, o argumento falacioso por trás dos investimentos de governos estrangeiros no Brasil: todas essas aplicações de capitais estão sendo abrigadas, por desídia e velhacaria (é impostura, e ela continua intacta) no artigo 172 da Constituição: “A lei disciplinará, com base no interesse nacional, os investimentos de capital estrangeiro, incentivará os reinvestimentos”.

Capital estrangeiro, o ponto. Mas não estamos diante apenas de capital estrangeiro, não estamos tratando apenas de investimentos estrangeiros. É falsidade ululante parar por aí. Vamos colar nos fatos. Estamos diante de capital estrangeiro estatal, óbvio ululante, para uma vez mais lembrar Nelson Rodrigues. São governos os seus proprietários. E nesse caso, vale o artigo 173: se há vedação constitucional para o Estado brasileiro estar presente, muito menos poderá o Estado estrangeiro investir por meio de empresas públicas, sociedades de economia mista ou fundos soberanos. Claro como água de pote.

Se assim não fosse, o Estado brasileiro na obediência ao artigo 172 não poderia ser proprietário por vedação constitucional, mas, por absurdo, a Constituição estimularia que, nas mesmas circunstâncias, Estados estrangeiros abocanhassem tais propriedades.

Não adianta chiar, estamos diante de problema constitucional grave, nulidade de atos há anos sucedendo no ordenamento jurídico nacional. Martelo, não estamos tratando de investimentos estrangeiros, é falsa a afirmação, estamos falando de investimentos estatais de Estados estrangeiros. Aqui está o problema.

O problema está aqui, mas não está só aqui. Vai mais longe. A atividade econômica no Brasil obedece a princípios, comanda o artigo 172, o primeiro dos quais (inciso I) é que não pode lesar a soberania nacional. Nem real, nem potencialmente. Pergunto, os investimentos maciços de estatais chinesas no Brasil que em nada, só por chacota, poderiam ser “imperativos de nossa segurança nacional” não ameaçam a segurança nacional? A presença crescente deles na infraestrutura tem “relevante interesse coletivo”? Ligarmos nossa economia, que passará a ter um de seus pontos nevrálgicos em Pequim, na sede do PCC, tão íntima e fortemente a um poder mundial imperialista e ditatorial em nada arranha a soberania? Poder que hoje, visto com simpatia pela esquerda interna entreguista, apoia ditaduras como Irã, Coreia do Norte, Venezuela, Cuba. É nosso futuro, sem dúvida de retrocesso e atraso, adversário dos direitos humanos?

Um último ponto, a Constituição determina, artigo 172, a lei disciplinará, com base no interesse nacional, os investimentos de capital estrangeiro. Fala em capitais privados, é claro; refere-se também a capitais públicos. É do interesse nacional termos gigantescas presenças na economia de Estados estrangeiros, em especial da China comunista?

Paro por aqui e faço convites cordiais. Os constitucionalistas precisam se pronunciar, também é imprescindível que falem os setores que por missão institucional ou presença na vida pública estão especialmente ligados à preservação e defesa da independência nacional, assim como de nossos interesses estratégicos. Tem uma pedra no meio do caminho. Uma, não; várias, grandes e cortantes.

A impostura continua intacta

Publicado em: 11-01-2020 | Por: bidueira | Em: CHAVES, CHINA, DIREITO DE PROPRIEDADE, Mourão, Revolução Cultural, Segurança Pública, SITUAÇÃO NACIONAL

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A impostura continua intacta

Péricles Capanema

O Estadão, reportagem assinada por Fernanda Guimarães, noticiou com destaque em 6 de janeiro “Gigante chinesa XCMG abre banco no Brasil”. (A notícia de forma resumida voltou no dia seguinte). Colocou ainda no lead, enfatizando a importância do fato “esse é o primeiro banco do grupo XCMG em todo o mundo – nem mesmo na China o grupo possui uma instituição financeira”.

 A informação minuciosa explica ainda que a XCMG (Xuzhou Construction Machinery Group) é um gigante de construção de máquinas para a engenharia civil. De fato, vendeu em torno de R$100 bilhões em 2019, verifiquei. Pelo volume anual, cerca de R$100 bilhões, fica claro, é um mastodonte econômico e terá condições de expandir rapidamente o banco que acaba de inaugurar no Brasil.

Wang Min, presidente da XCMG declarou em São Paulo que o objetivo de abrir um banco no Brasil é em especial ajudar as relações econômicas com a China e facilitar a aplicação de capitais chineses no Brasil. A XCMG, que já é proprietária de fábrica de máquinas no sul de Minas, capacidade de 7 mil máquinas anuais, entre as quais caminhões-guindaste, motoniveladoras, escavadeiras.

 Roberto Carlos Pontes, contratado para vice-presidente do banco, declarou na mesma entrevista que o novo banco irá procurar clientes e revendedores da XCMG no Brasil. Também irá atrás de empresas chinesas que operam no Brasil e as que aqui irão se instalar. Observou: “Por conta do ciclo econômico no País e o programa de concessões e privatizações, novos entrantes chineses devem chegar ao Brasil”. Fica a nota, vão colocar foco especial no programa de concessões (que tem muito de privatização) e no programa de privatizações.

 Sobre a atuação do novo banco chinês, Davi Wu, sócio-diretor da prática Chinesa da KPMG no Brasil, crê que o ciclo dos investimentos chineses no Brasil deverá continuar intenso, por volta de R$1 trilhão nos próximos 20 anos.

A reportagem nota que o banco da XCMG não é o primeiro banco chinês no Brasil. O China Construction Bank (CCB) em 2013 comprou o controle do então BicBanco. E em 2015 o Bank of Communications comprou 80% do BBM S. A.

 Agora, complementarei com informações que não constam da reportagem (nenhuma alusão, espantoso) e nem do que vem sendo noticiado e pude compulsar. A XCMG é estatal chinesa. O banco a ser aberto no Brasil será um banco estatal chinês. O China Construction Bank, o segundo banco citado é estatal chinesa. O Bank of Communications é estatal chinesa. Provavelmente o dinheiro aplicado aqui por meio de tais instituições financeiras em programas de concessões e privatização será de propriedade de estatais chinesas. Vou repetir o óbvio: uma estatal chinesa é dirigida pelo governo. O governo é dirigido pelo Partido Comunista Chinês. E vou repetir também, o que para muitos ainda não é óbvio: no Brasil é virtualmente proibido informar o óbvio a respeito. A casa cai.

 Volto-me agora para a Constituição Federal. O artigo 170 (consta do Título VII e trata dos princípios gerais da ordem econômica) enumera como primeiro deles a soberania nacional. Não ameaça a soberania nacional pelo menos potencialmente que um naco grande da economia brasileira seja de propriedade e dirigido por um governo estrangeiro imperialista e ditatorial? Não nos encheram os ouvidos com os tais setores estratégicos? Falamos aqui em especial de infraestrutura e área financeira. Deixaram de valer? Era pura balela de desocupados meio abitolados, que é preciso agora fingir que nunca foram divulgados como grandes achados?

 Vou para o artigo 171: “A lei disciplinará, com base no interesse nacional, os investimentos de capital estrangeiro”. Está conforme o interesse nacional que boa parte do capital estrangeiro aqui aplicado (somas gigantescas) seja de governos estrangeiros imperialistas e ditatoriais? Dirigido por potência estrangeira suas ações favorecerão a ela ou ao interesse do Brasil? Ficou proibido tocar no tema e pedir que seja debatido?

 Pulo para o artigo 173: “A exploração direta da atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo”. O artigo, em Constituição estatizante, reflete a doutrina de que, via de regra, o Estado, no âmbito econômico, deve se limitar a papel regulador e suplementar. Vamos tratar de sua função suplementar: o Estado só pode agir diretamente no âmbito econômico por razões de segurança nacional ou relevante interesse coletivo. Se vale para o Estado brasileiro, com maior razão, vale para Estado estrangeiro. Quais as razões de segurança nacional para o Estado chinês aplicar tanto dinheiro no Brasil, tornando-se dono de parte da economia? Qual o interesse coletivo relevante que justifica o controle pelo Estado chinês, mediante compra e vencimento de concorrências (investimentos maciços), de parte da infraestrutura e, no caso, da área financeira? Obrigações de reciprocidade e isonomia? Haveria no caso paralelismo efetivo?

 Sei, levantei questões pela rama, não as estou solucionando. A resolução demandaria rios de tinta. Mas o mero fato de levantá-las, passo inicial da caminhada, já aponta para começo de solução. E as suscitei porque creio, ou estou muito errado ou estamos diante de graves ofensas à Constituição.

 Sei, ninguém tratou delas antes (pelo menos não vi). Sempre tem a primeira vez. Convido então os constitucionalistas: estudem por inteiro a questão, reflitam, discutam. É depois, para esclarecimento da opinião pública, o caso é delicado, opinem com prudência e doigté, que sejam palavras embebidas do senso agudo dos interesses brasileiros. Quem sabe, avanço, caberia aqui uma como que, por analogia, modulação de efeitos nas soluções aventadas.

 Só peço uma coisa: objetividade, nunca esbofetear a lei maior. E já aviso, a patrulha sairá dos gonzos, já que é tema proibido. Vai atacar furiosamente. Em resumo, continua intacta a impostura. Em espantoso retrocesso, o garrote vil afoga na garganta, mesmo dos mais lúcidos e informados, as palavras de previsão e alarma.

No Chile “no pasa nada”! Na França, também!

Publicado em: 02-01-2020 | Por: bidueira | Em: Ambientes, Costumes, Festas religiosas, Perigo Islâmico, Política Internacional, Revolução Cultural, Segurança Pública, SITUAÇÃO NACIONAL, Terrorismo, Tradições

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No Chile “no pasa nada”! Na França, também!

Sérgio Diniz Bidueira

Causa algum espanto aos leitores quando fotos de veículos incendiados por populares enfurecidos são publicadas nas primeiras páginas de nossos jornais.
As cenas terríveis de vandalismo ocorridas nas últimas semanas no Chile, também tiveram alguma repercussão por aqui.
Mas pouco ou nada se comenta sobre as cenas de vandalismo que ocorrem todos os anos na França por ocasião das festas de fim de ano e nas do 14 de julho.
Incêndios de centenas de veículos nas grandes e pequenas cidades, agressões aos bombeiros e às forças da ordem que procuram reprimir incêndios e distúrbios.
Mas, vamos aos dados, publicados no Figaro de hoje, em artigo de Jean Chichizola:
Título: Violências urbanas, este velho flagelo do Novo Ano
 
…”Sinistro ritual da noite de São Silvestre atingiu todo o território.”
Desde 2019 o Ministério do Interior não comunica o número de viaturas incendiadas.Mas, pelo menos 600 ocorreram em 2019. 1031 em 2018, 945 em 2017, 804 em 2016, 940 em 2015, mais de mil em 2014, 2013 e 2012.
Nas redes sociais, alguns publicam vídeos desses motins. desejando feliz Ano Novo a sua audiência, sob um fundo de risos de populares diante dos veículos em chamas e dos policiais agredidos.
Em Strasbourg, 200 veículos incendiados, o dobro do ano anterior. Vários policiais foram feridos por petardos lançados contra eles.
As desordens atingiram também a Bélgica, onde  20 veículos foram destruídos,
“Mas o mais preocupante nesse balanço é a constatação que essas violências atingem o conjunto do país e não apenas as grandes cidades”.
Como no Rio de Janeiro, tiros de armas automáticas foram assinaladas em torno de 23 h (bairro da Mosson, Montpellier), Uma bala perdida foi se alojar em um apartamento.
“Nos últimos 30 anos esse fenômeno de violências festivas se repete, no 31 de dezembro e no 14 de julho, especialmente. Mas, no início do ano passado, 14 de fevereiro de 2019, um estudo do Observatório nacional da delinquência e das respostas penais (ONDRP), concluiu que, em média 110 viaturas eram queimadas cada dia na França.”
 
***
Quem não vê no crepitar dessa insurreição controlada um bico de gás que é mantido artificialmente para uma explosão futura, com consequências terríveis para a França e para todo o Ocidente.
 
Que Nossa Senhora Aparecida poupe o Brasil desse diabólico plano de destruição Revolucionário!

 

Novo Projeto de Bolsonaro muda Estatuto do Desarmamento, mas ainda não atende à aspiração de porte

Publicado em: 21-12-2019 | Por: bidueira | Em: Ambientes, Costumes, Desarmamento, Legítima Defesa, PLD em Foco, Segurança Pública, SITUAÇÃO NACIONAL, Tradições

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PLD em Foco

Cel. Paes de Lira comenta

Novo Projeto de Bolsonaro muda Estatuto do Desarmamento, mas ainda não atende à aspiração de porte

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MIGRAÇÃO REDENTORA

Publicado em: 16-12-2019 | Por: bidueira | Em: Ambientes, Costumes, Família, Mourão, SITUAÇÃO NACIONAL, Tradições

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Migração redentora

 Péricles Capanema

 Sempre me impressionaram as soltas de pombos-correio. Voam em círculos largos, duas ou três voltas e, súbito, como que acabada a indecisão, tomam rumo, flechas no retorno ao pombal. Por que os círculos ascensionais das aves? Não sabem que curso escolher? De qualquer modo, fazem imagem linda das divagações do espírito. Umas, perda de tempo, não se alteiam como eles. Diferente outras, sobem, volteiam, mas, bem colocadas, antecedem de pouco a fixação do objetivo. Por vezes de uma vida toda, como os voos dos pombos-correio, não raro linhas de mil quilômetros até os columbários.

 Permito-me divagar um pouco sobre migrações, mas tenho norte ▬ hoje pode surpreender. Migrações lembram caminhadas, jornadas, marchas, percurso, trajetória. E depois, termo, parada, chegada, êxito, triunfo. Ou fracassos e decepções.

 Em incontáveis casos, repletas de simbolismos, as migrações brilham pelos séculos com enorme poder evocativo. Rememoro duas de raiz bíblica. A migração dos judeus, os filhos de Jacó, para o Egito, precedida da venda de José como escravo pelos irmãos a mercadores ismaelitas. Pretexto do crime dos irmãos: José era um sonhador. Aliás, não custa lembrar, pela vida afora, muitos de nós, “sonhadores”, somos como José, vendidos por quem menos se espera, na busca de vantagens passageiras.

 Os anos passaram, José, o escravo fracassado e vendido, teve carreira fulgurante. E nos deixou grande lição de perdão. Aos irmãos envergonhados, as palavras doces do rebento rejeitado, pelas mãos de Deus alçado a ministro do faraó, mandachuva de um império, que apenas diz: “Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito”. Depois de 400 anos, outra migração, os judeus estão de volta, guiados por Moisés, vagueiam quarenta anos pelo deserto do Sinai, no retorno à terra prometida, Canaã.

 Outro exemplo, migrou também o filho pródigo da casa paterna, levando a herança rica, que dilapidou na farra. E depois, pobre, arrependido, fez a jornada de volta. “Pai, pequei contra o céu e contra ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho”.

 Tantas outras migrações e das mais variadas naturezas. Vou tratar de uma delas, das mentalidades, no seio da opinião pública e no mundo oficial. Acontece no Brasil e é migração que tem potencialidades para ser redentora.

 Vamos ao ponto. Em 17 de novembro de 1889 o governo provisório expulsou a Família Imperial do Brasil. Em 21 de dezembro o decreto de banimento foi publicado. Dom Pedro II e família não podiam voltar, não podiam os membros da Família Imperial possuir bens imóveis aqui; se tivessem estavam obrigados a vendê-los em dois anos, extintas ficavam as dotações oficiais. Começava tentativa de varrê-los da história brasileira. Era uma forma de passar borracha no passado, recurso de legitimação da república. Com a consequente batalha em torno de símbolos, imagens e comemorações se iniciava uma nova era que proclamava e desejava ser inequívoca ruptura com a anterior.

 Não aconteceu e não funcionou. De fato, pouco depois, espontaneamente, o Brasil de alto a baxo se recusou a tomar uma atitude jacobina e deu início a movimento oposto, a reaproximação com a Família Imperial. Multiplicavam-se em escolas, rodovias, edifícios, empresas, os nomes de Pedro II, Leopoldina, Princesa Isabel. Cidades eram memória viva, Teresópolis, Petrópolis, Joinville. E começavam a ser apresentados na Câmara um atrás do outro projetos para cancelar o banimento da Família Imperial, o primeiro dos quais em 5 de agosto de 1891, menos de dois anos depois do golpe de 15 de novembro, da lavra dos deputados Caetano e Albuquerque e Anfilófio de Carvalho. Não prosperou, claro.

 Um marco dessa migração (reencontro, outro nome), pelo impacto enorme, merece recordação especial: o retorno ao Brasil do barão do Rio Branco (1845 – 1912) em 1º de dezembro de 1902, depois de 26 anos no Exterior para assumir o ministério das Relações Exteriores. Fruto autêntico do ambiente social e político do 2º Reinado, permaneceu na chefia da diplomacia brasileira ao longo de quatro presidentes ▬ Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca. Faleceu no cargo, marcou direção até hoje prevalente.

 Rio Branco triunfara na Europa e nos Estados Unidos em questões delicadas de fronteiras com consagradoras manifestações de inteligência, erudição e tato. Coberto de louros, convidado para o ministério, foi apoteótica e reveladora sua chegada no Rio de Janeiro. O navio que o trouxe entrou no porto rodeado de embarcações. Ao meio dia saltou em terra, onde multidão enorme o esperava. Fisionomia serena e senhorial, bigode forte, presença e domínio de cena impressionante, lembrava tanta coisa, os modos e o jeito de Bismarck, recordava em especial o Império e seus homens públicos, evocava a Família Imperial, revivia um mundo que deixara saudades e que se recusava a morrer. Ali era seu mais qualificado representante.

 Segundo Álvaro Lins, foi assim que o povo e o mundo oficial celebraram Rio Branco: “O percurso pelas ruas da cidade veio a constituir uma cena espetacular. Do préstito faziam parte representações de todas as classes e entidades sociais: do Governo, da Câmara e do Senado, do Exército, da Marinha, do corpo diplomático, do corpo consular, das escolas militares, dos colégios oficiais e particulares, de associações religiosas, de sociedades culturais e literárias, de instituições científicas, de clubes mundanos, das escolas de Direito, Medicina e Engenharia, do comércio, da indústria, das repartições públicas de diversos ministérios, dos veteranos da guerra do Paraguai. Clarins e bandas de música anunciavam a sua passagem. Por toda parte se via o seu retrato. As ruas estavam embandeiradas, num espetáculo festivo de cores e dísticos, e das sacadas atiravam-lhe flores. Coberta de flores também estava, desde a véspera, a estátua do Visconde do Rio-Branco.”. Este mundo estava banido?

 O nome, José Maria da Silva Paranhos Júnior. Poderia ser chamado de dr. José Maria, dr. José, seu Juca, o Paranhos, Juquinha, Zeca Paranhos, Juninho. Nada pegaria. Era o barão ou Rio Branco. Firmava Rio Branco, o jamegão valia; não dava bola para a supressão do título, lavra da república, nem para a obrigação de utilizar seu nome de registro. Desinibidamente usou o título supresso e nunca escondeu as convicções monarquistas. Estava banido o Império? Estava banida a Família Imperial? Nada mais artificial, brutal e postiço.

Por que deixou a Europa, depois de 26 anos lá?  O governo necessitava dele não apenas para negociações diplomáticas importantes. Precisava de sua irradiação para se cobrir de respeitabilidade. Punha à frente da pasta do Exterior e como figura de proa dos homens públicos um garantidor da ordem, um expoente da cultura, modelo de eficiência e senso prático na gestão dos negócios estrangeiros. Elevava assim sua estatura nas Américas e até no mundo. O retrocesso republicano prejudicava, era urgente um avanço, imprescindível acabar com o descompasso entre o Brasil e o mundo civilizado. Para tudo isso Rio Branco servia como uma luva.

 No fundo do palco cuja figura principal era o barão, desenhava-se a figura da Família Imperial, sem cuja ação dificilmente se formariam figuras públicas como a que dominava a cena pública nacional. Ela voltava aos poucos, reconquistava espaços. O reencontro se consolidava, evaporava-se o plano de confiná-la, esquecida, na Europa.

 Em dezembro de 1919, depois da derrota de numerosos projetos semelhantes extinguindo o banimento, o deputado mineiro Francisco Valadares (aparentado com o senador Benedito Valadares), mais uma vez, propôs o fim do banimento. Já estava escandaloso o caso. O Congresso aprovou-o. Em 3 de setembro de 1920, foi assinado no Catete o decreto que revogava o banimento. A Família Imperial podia voltar; era véspera do centenário da Independência, realizada por um de seus membros.

 Voltou, ela que nunca deveria ter saído. Houve gradual reinserção de figuras da Família Imperial na sociedade brasileira. Acelerou-se a trajetória da Família Imperial para o centro da vida nacional e continuou a derrubada das barreiras artificiais entre ela e a opinião nacional.

Um salto sobre muitos acontecimentos. Hoje temos dom Bertrand homem público, dom Luiz Philippe homem público, dom Rafael começando a se firmar: “Fomos ensinados desde pequenos a ser vistos como exemplos”. O presidente Bolsonaro declara a dom Luiz Philippe: “Você deveria ter sido meu vice, e não esse Mourão aí”. E o ministro da Educação escreve textos assim: “Não estou defendendo que voltemos à Monarquia, mas o que, diabos, estamos comemorando hoje? Há 130 anos foi cometida uma infâmia contra um patriota, honesto, iluminado, considerado um dos melhores gestores e governantes da História”. E ainda: “O Império teve seus dois principais atos assinados por mulheres educadas, inteligentes e honestas. Elas nos governaram bem antes de Dilma. A Lei Áurea e nossa Independência foram assinadas respectivamente pela Princesa Isabel e por Dona Leopoldina”.

 Chamo a atenção para ponto quase nunca enfatizado: a naturalidade generalizada com tal situação, da qual dei poucos exemplos acima. Todo mundo acha normal fatos assim, se tirarmos a minoria jacobina, petrificada em preconceitos já de há muito envelhecidos. Razão? Não são raios em sol sereno, inserem-se naturalmente dentro de processo já velho de mais de um século, que vem ganhando volume, com o qual todos convivemos. Dois movimentos: a Família Imperial caminhou, em longa marcha, para o centro da vida nacional; o segundo, o Brasil andou, décadas afora, em direção a ela. Penso, sintoma da migração, um plebiscito como o de 1993, causa bem apresentada e propaganda bem conduzida, daria muito mais que os 10% da época.

 Até onde nos conduzirão as duas migrações? Não sei, ninguém sabe. Mas sei, enquanto a Família Imperial representar honestidade, moralidade, simplicidade, esplendor, harmonia, em suma, ser esperança de garantidora de uma sociedade estaqueada na família e promovendo incontáveis plenitudes de natureza vária de que o Brasil necessita e pode abrigar, muito dificilmente terá fim tal migração. São os 40 anos no Sinai. E estou certo, terá sido migração redentora. Que são Pedro de Alcântara, padroeiro da Família Imperial, lhe ajude e ajude a todos nós nessa caminhada, que é pelo bem nacional.

Novo Decreto sobre armas de fogo de Bolsonaro corrige defeitos, mas mantém pontos questionáveis

Publicado em: 06-10-2019 | Por: bidueira | Em: Costumes, Desarmamento, Legítima Defesa, PLD em Foco, Segurança Pública, SITUAÇÃO NACIONAL

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Pela Legitima Defesa em Foco

Cronel Paes de Lira comenta

Preocupante escolha de Bolsonaro para o cargo de Procurador-Geral da República

Publicado em: 20-09-2019 | Por: bidueira | Em: Desarmamento, DIREITO DE PROPRIEDADE, Legítima Defesa, PLD em Foco, PT, Segurança Pública, SITUAÇÃO NACIONAL

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PLD em Foco

Coronel Paes de Lira comenta

Nova lei amplia o conceito de extensão de propriedade rural, para efeito de posse de arma de fogo

Publicado em: 20-09-2019 | Por: bidueira | Em: Costumes, Desarmamento, DIREITO DE PROPRIEDADE, Família, Legítima Defesa, PLD em Foco, Segurança Pública, SITUAÇÃO NACIONAL

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PLD em Foco

Cel. Paes de Lira comenta