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1770-1970: uma vis??o de conjunto

Publicado em: 15-07-2011 | Por: bidueira | Em: Pol??tica Internacional

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Particularmente ilustrativos da fase hist??rica da Revolu????o Francesa aos nossos dias s??o dois artigos publicados pelo Professor Pl??nio Corr??a de Oliveira, na ???Folha de S??o Paulo???, em fevereiro de 1970. A clarivid??ncia do autor destes artigos demonstra com quanta anteced??ncia estava presente em seu esp??rito a previs??o da sequ??ncia dos acontecimentos noticiados em nossos dias. Apresento-lhes hoje o primeiro deles. Na pr??xima semana, continuaremos o tema com o segundo artigo.

???Folha de S. Paulo???, 22 de fevereiro de 1970

1770-1970: uma vis??o de conjunto

Parece-me muito proveitoso e at?? indispens??vel ??? para a compreens??o dos mais recentes lances pol??ticos do comunismo internacional ??? lan??ar um olhar retrospectivo para a hist??ria dos ??ltimos 200 anos. O alcance deste estudo paga largamente a pena.

Com efeito, o comunismo parece, hoje em dia, onipotente e, ao mesmo tempo, podre. Onipotente, pois: a) cobre uma t??o grande faixa de terras e de povos, que constitui um dos maiores ???imp??rios ideol??gicos??? da hist??ria; b) jamais teve diante de si advers??rios t??o ing??nuos, t??o t??midos, t??o entreguistas. Mas, a par disto, parece podre porque: a) jamais seus supremos dirigentes pareceram t??o indiferentes ao que constitui a pr??pria ess??ncia ideol??gica do comunismo; b) jamais a oposi????o nas fileiras dos v??rios PCs se apresentou t??o afoita, t??o douta e t??o popular; c) e jamais o movimento autonomista nos pa??ses sat??lites pareceu t??o inconten??vel.

Se a grande meta de nossos dias ?? derrotar o comunismo, a escolha do melhor modo para alcan??ar este fim ?? de interesse supremo. Ora, tal escolha deve ser feita levando em conta o que se passa nas fileiras do advers??rio. De onde emerge, por sua vez, como sumamente importante, a seguinte pergunta: esse duplo fen??meno de vit??ria e putrefa????o ?? aut??ntico? Ou disfar??a uma nova manobra deste?

Se um retrospecto hist??rico de 1770 a nossos dias elucida a quest??o, ?? ineg??vel sua utilidade.

* * *

Em seus aspectos essenciais, a hist??ria desse per??odo se identifica com a da prepara????o, surto, expans??o e apogeu da imensa convuls??o de id??ias, estilos de vida, sistemas art??sticos, institui????es pol??ticas, sociais e econ??micas que se convencionou chamar Revolu????o Francesa. Com efeito, em 1770 (fixamos este ano um tanto arbitrariamente, para n??o recuarmos o retrospecto al??m dos 200 anos), a Revolu????o estava no ??ltimo per??odo de sua profunda e lenta gesta????o. Em 1789, veio ?? luz, e a??derrocada do ???Ancien R??gime??? come??ou. Em poucos anos, a Igreja foi sucessivamente reduzida a uma institui????o apenas tolerada e, por fim, posta fora da lei. O trono dos Bourbons foi atirado ao ch??o. A aristocracia foi abolida. O furor revolucion??rio voltou em seguida sua sanha contra os ricos, e em sua fase de maior paroxismo a Revolu????o apresentou matizes incontestavelmente comunistas. Foi o Terror. Resume-se nisso que se poderia chamar a fase explosiva, radical e tr??gica da Revolu????o. S??o cinco anos.

Depois sucede-lhe a imensa fase processiva, lenta, sorrateira e acomodat??cia da Revolu????o. Vai ela de 1794 at?? nossos dias, (desde que se admita que, sob certo ponto de vista, a Revolu????o continua em curso, moldando cada vez mais o mundo a seu esp??rito an??rquico e igualit??rio). Esta fase se subdivide em dois per??odos: a) o do recuo estrat??gico; b) o do contra-ataque.

Tendo dado largas a toda a sua sanha destruidora e elevada ao auge a rea????o dos advers??rios, a Revolu????o foi retrocedendo por etapas.

No in??cio da fase do recuo estrat??gico (come??o do diret??rio at?? a queda de Carlos X, em 1830) deu-se a estagna????o da ofensiva comunista e a consolida????o da domina????o da burguesia.

Com Napole??o, o retrocesso se tornou ainda mais marcante. A rep??blica foi substitu??da por uma monarquia esp??ria. A sociedade burguesa se metamorfoseou em uma aristocracia posti??a de novos ricos, de generais vitoriosos e de administradores de alto escal??o. A Igreja, embora sem recuperar sua antiga situa????o, foi tirada dos ferros e entrou em regime de concordata com o Estado. Napole??o procurou at?? coonestar sua situa????o aos olhos dos seus advers??rios, nost??lgicos do ???Ancien R??gime???, casando-se com uma arquiduquesa da ??ustria. Ele se tornou assim ??? por afinidade ??? sobrinho neto de Maria Antonieta e de Lu??s XVI. Incorporou ele, em sua corte, quantos cortes??es dos Bourbons conseguiu aliciar. E tentou at?? comprar os direitos ao trono, do conde de Provence, irm??o e sucessor imediato de Lu??s XVI.

Toda essa aparente volta ao passado era, entretanto, muito mais de superf??cie do que de profundidade. Ao longo do Diret??rio, como do Consulado e do Imp??rio, o fato profundo e capital ?? que a sociedade nova, laica, igualit??ria e pleb??ia, foi tomando consist??ncia e estabilidade. Os recuos para o ???Ancien R??gime??? tinham um fim??estrat??gico: eles consolavam e adormeciam os advers??rios da Revolu????o, por??m nada lhes restitu??am de s??lido e de dur??vel. O que a Revolu????o concedia na apar??ncia, era compensado por lucros em profundidade.

Como se operava essa neutraliza????o dos advers??rios da Revolu????o?

Os cl??rigos e os nobres e em geral os nost??lgicos do passado cientes de que o terrorismo deixara germes ativos de inquieta????o, apavorados ante a perspectiva de uma revivesc??ncia revolucion??ria, de bom grado aceitavam o pouco que a nova ordem de coisas lhes restitu??a. E, detestando-a, de medo que viesse coisa pior, ???cediam para n??o perder???. ???Cediam??? esperan??as muito amadas para ???n??o perder??? o pouco que haviam recobrado.

As coisas continuaram no mesmo rumo quando, destitu??do Napole??o pelos aliados, subiu ao trono Lu??s XVIII, o antigo conde de Provence. O clero e os emigrados ganharam mais algumas honrarias. E foi s??. Em seus tra??os profundos, a ordem de coisas implantada por Napole??o perdurou, j?? agora com o apoio da maioria de seus advers??rios da v??spera, uma vez que a aceitara o rei.

Sob os Bourbons (1815-1830) as sociedades secretas desenvolveram uma propaganda revolucion??ria ativa. Em sua maioria , os advers??rios da Revolu????o, sempre firmes no ???ceder para n??o perder???, e gozando pachorrentamente sua t??o incompleta vit??ria, s?? pensavam em aproveitar a vida. A Revolu????o preparava assim, ativa e afoitamente, um ???estouro???.

Este estouro que encerra a fase dos recuos estrat??gicos e inaugura a fase do avan??o processivo e lento da Revolu????o n??o consistiu na implanta????o direta da rep??blica, por??m na ???republicaniza????o??? da monarquia. A Revolu????o dep??s os Bourbons do ramo primog??nito e conduziu ao trono o pr??ncipe usurpador que tomou o nome de Lu??s Filipe. Com ele a burguesia subiu ao poder, e a nobreza saiu da primeira plana da vida pol??tica.

Aliviados ao ver que as coisas n??o chegavam at?? o pior, isto ??, at?? a rep??blica e o Terror, a maioria dos partid??rios do ramo deposto continuou ??? j?? agora no ostracismo pol??tico e na penumbra ??? a vegetar tranq??ila. Mais uma vez, parecia-lhe prudente aceitar o pouco que se lhes deixava, a reagir, exasperar o advers??rio e??? acabar perdendo tudo.

Entrementes a efervesc??ncia revolucion??ria continuava, sempre mais exigente. Assim, em l848, a Revolu????o derrubou Lu??s Felipe, e durante um curto intervalo republicano (1848-1851) elegeu para presid??ncia da rep??blica um pr??ncipe plebeu e ainda mais marcadamente usurpador, isto ??, Lu??s Napole??o Bonaparte. Este n??o tardou a se proclamar imperador, e sob o nome de Napole??o III governou at?? 1870. Sua monarquia foi ainda mais ???republicana???, burguesa e laica do que a de Lu??s Filipe. Com a queda de Napole??o III resultante da vit??ria da Pr??ssia, houve dois surtos extremistas, isto ??, uma vit??ria eleitoral do Conde de Chambord, herdeiro da monarquia leg??tima, e uma explos??o comunista. Mas nem o Conde de Chambord, nem os comunistas conquistaram o poder. Quem ficou com ele foi a burguesia.

Nestes 100 anos ininterruptos de rep??blica, o que sucedeu na Fran??a?

O processo rumo ?? anarquia e ?? igualdade continuou seu curso, mas j?? agora em outro n??vel. Dos advers??rios visados na fase explosiva e violenta que culminou no Terror, dois estavam por terra: a dinastia e a nobreza. Um continuava de p??, a burguesia. Cumpria derrub??-la.

Sob este ponto de vista, a Hist??ria da Fran??a, nos 100 anos ??ltimos, se resume numa decad??ncia lenta e cont??nua do poder burgu??s, numa eros??o incessante da propriedade privada e numa penetra????o gradual do esp??rito socialista at?? nas fileiras do Clero e da burguesia. Seria por demais longo descrever aqui as vicissitudes desse processo, ali??s mais recente e mais conhecido. Basta dizer que, ao longo dele, a conduta da burguesia foi c??pia exata da que tivera anteriormente a nobreza: um perp??tuo ???ceder para n??o perder???, uma frui????o da letargia opulenta do momento presente, sem maiores preocupa????es com o futuro, que entretanto caminhava para ela amea??ador.

Em suma, ao cabo de 100 anos de agita????es republicanas e contra-agita????es monarquico-aristocr??ticas e de mais de 100 anos de rep??blica burguesa, tudo caminha na Fran??a para a plena realiza????o do programa dos terroristas, dos ???montagnards???, dos ???cordeliers???, e do comunista Babeuf. Paulatinamente, e sem efus??o de sangue, o terrorismo ?? o grande vencedor. Basta que as coisas continuem a correr tranq??ilamente como correm que, mais tempo, menos tempo, a Fran??a ser?? comunista??? O comunismo, implicitamente, tem a vit??ria nas m??os. Pois ele est?? no socialismo como o pinto no ovo. E o socialismo j?? venceu.

* * *

?? poss??vel deduzir desta massa de fatos um ensinamento para o presente? ?? o que em outro artigo veremos.

 

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